De uma hora pra outra ele aparece
escuro, frio, abriga no seu escuro ventre a mais feroz criatura
ela é atroz e voraz , invencível
insaciável
sacos de jujuba
meia-lua
coca-cola
seu veneno causa parlisia
mesmo usando de rituais em noites de lua cheia
eu não consigo exterminá-la
Ela , ele??
Esse monstro míope,
verde, suscetivel e de garras afiadas é sempre implacável
ele se nutre de muita comida
Afinal ele agora não tem mais seu olhar
sua companhia
sua presença
suas chatices
suas pseudo-racionalidades
suas sempre razões
seu sorriso imenso
seu afeto " gracinha" num diminutivo que
só vc sabe dizer
ninguém mais
Então, do nada vc mudou de planeta
de órbita
E esse monstrinho gosmento e verdinho te vê esporadicamente
te ouve dentre outras vozes e com um eco mais
novo
fofo...
é...
O buraco ficou mais fundo e a FERA mais insaciável
coitada
ela NUNCA mais vai se saciar de você
vai morrer à mingua
vai se contentar com jujubas e chocolates
com cocas
waffers de limão
mas NADA tem seu gosto NÃO...
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Infânciax42
"depuração é coisa assim. ninguém mais decanta. pureza ou mistura? mistura! é fácil fazer coro. até eu.massssacho que o sumo de uma idéia atravessa melhor as camadas da consciência até chegar onde deve.mas acho também que meio é mensagem e por isso a forma é o conteúdo. e por isso onde deve é no corpo inteiro.por isso esse conflito todo."
Estranhamente percebo que por fora o tempo deprecia toda a moradia de uma infante carente ...
Luta ela pra junto do limoeiro ficar e não acompanhar o que o corpo quer.
Quer ficar lá de vestidinho vermelho e nem ter de ter bons modos, e poder fazer "tromba de elefante" , comer cocada, juntar nos braços os enfeites de garrafa das festas infantis que sempre invejou, comer mexido falando que é pizza, esfregar a bochecha com bucha vegetal pra ficar rosada igual da Rainha da Primavera, inveja novamente...
Só não queria entrar de novo no pátio da escola e se sentir um NADA, diante de tanta beleza, uniformes azuis novos , plissados, laços de fita, meias com pompons, sapatos de verniz, e o seu já cinza com a barra escura que a cada ano descia pra tampar os joelhos magros e pretos e cheio de cicatrizes.
Ah!
O cheiro!
Até hoje me fascina , cheiro de material de escola novo, giz de cera, livro novo, papel de seda azul que envolve a maça importada e a saliva na boca sendo engolida com o desejo e a inveja e a raiva de lanchar "pão de sal com bolinha de carne'...
Bisca
Maluda
Magrela
"matou um gato sufocado com bolachas!" é bisca mesmo...
"tem um mosquito pousado no seu rosto!"
papel higiênico, azulejo no banheiro, comer na mesa com forro, talher, roupa de cama nova, ah!
Recalque.
Lona!!Lona!!
42 ... Lona!!!
Estranhamente percebo que por fora o tempo deprecia toda a moradia de uma infante carente ...
Luta ela pra junto do limoeiro ficar e não acompanhar o que o corpo quer.
Quer ficar lá de vestidinho vermelho e nem ter de ter bons modos, e poder fazer "tromba de elefante" , comer cocada, juntar nos braços os enfeites de garrafa das festas infantis que sempre invejou, comer mexido falando que é pizza, esfregar a bochecha com bucha vegetal pra ficar rosada igual da Rainha da Primavera, inveja novamente...
Só não queria entrar de novo no pátio da escola e se sentir um NADA, diante de tanta beleza, uniformes azuis novos , plissados, laços de fita, meias com pompons, sapatos de verniz, e o seu já cinza com a barra escura que a cada ano descia pra tampar os joelhos magros e pretos e cheio de cicatrizes.
Ah!
O cheiro!
Até hoje me fascina , cheiro de material de escola novo, giz de cera, livro novo, papel de seda azul que envolve a maça importada e a saliva na boca sendo engolida com o desejo e a inveja e a raiva de lanchar "pão de sal com bolinha de carne'...
Bisca
Maluda
Magrela
"matou um gato sufocado com bolachas!" é bisca mesmo...
"tem um mosquito pousado no seu rosto!"
papel higiênico, azulejo no banheiro, comer na mesa com forro, talher, roupa de cama nova, ah!
Recalque.
Lona!!Lona!!
42 ... Lona!!!
sábado, 23 de maio de 2009
Balança de precisão
sou assim
peso tudo
que dou
que sou
peso a dor
peso a saudade
peso o desprezo
peso a indiferença
peso o fogo que arde quando sinto ciúmes
peso olhares
peso tom de voz
peso abraços
peso obrigados, nãos, te amo, te odeio
peso o peso de ser balança de precisão
de dígitos frenéticos e ultra sensíveis
uma miçanga a mais
duas a menos pra mim
duzentas a mais pra ela
pra ele
pra eles
pra tudo
pro vazio que existe em ser um ser
carente
impulsivo
burro
possessivo
estupidamente louco por afeto
e tão contraditoriamente capaz de afugentar todo o que de mim se acerca.
peso tudo
que dou
que sou
peso a dor
peso a saudade
peso o desprezo
peso a indiferença
peso o fogo que arde quando sinto ciúmes
peso olhares
peso tom de voz
peso abraços
peso obrigados, nãos, te amo, te odeio
peso o peso de ser balança de precisão
de dígitos frenéticos e ultra sensíveis
uma miçanga a mais
duas a menos pra mim
duzentas a mais pra ela
pra ele
pra eles
pra tudo
pro vazio que existe em ser um ser
carente
impulsivo
burro
possessivo
estupidamente louco por afeto
e tão contraditoriamente capaz de afugentar todo o que de mim se acerca.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
"toda dor repousa na vontade..."
Pego emprestado do Camelo e divago sobre as dores que me atormentam recentemente...
Vontade de ter pés delicados
Vontade de não sentir saudades
Vontade de não sentir cíumes, deslocamento, inadequação
vontade de ser magra
Vontade de perceber meu corpo
Vontade de ter minha mãe de volta,seu colo, seu afago
Vontade de ser equilibrada, normal
Vontade de rir do que todos riem
Vontade de ser admirada
Vontade de ser desejada
Vontade de ser competente
Vontade de saber quem eu sou
Vontade de me preparar pras minhas sabotagens
Vontade de não enxergar o que tem por trás de alguns olhares
Vontade de ser disciplinada
Vontade de revirar meu inconsciente e exterminar todos os meus "traidores desejos"
Vontade de sexo
Vontade de me acostumar com impacto assustador de minha face oculta
Vontade de ser inteligente
Vontade de ser atraente
Vontade de saber guardar dinheiro
Vontade de saber dançar e mexer os quadris
Vontade de saber o que fazer com as mãos quando sinto que "sobro" em lugares
Vontade de não pensar tanta coisa ao mesmo tempo
Vontade de encontrar um grande amor
Vontade de saber fazer poesia
Vontade de me acostumar que sou dispensável quando não tenho "UTILIDADE" pra alguém
Vontade de tocar bem a viola sem estudar
Vontade de ser mais risonha
Vontade de ser engraçada
Vontade de não sentir vontade...
Vontade de ter pés delicados
Vontade de não sentir saudades
Vontade de não sentir cíumes, deslocamento, inadequação
vontade de ser magra
Vontade de perceber meu corpo
Vontade de ter minha mãe de volta,seu colo, seu afago
Vontade de ser equilibrada, normal
Vontade de rir do que todos riem
Vontade de ser admirada
Vontade de ser desejada
Vontade de ser competente
Vontade de saber quem eu sou
Vontade de me preparar pras minhas sabotagens
Vontade de não enxergar o que tem por trás de alguns olhares
Vontade de ser disciplinada
Vontade de revirar meu inconsciente e exterminar todos os meus "traidores desejos"
Vontade de sexo
Vontade de me acostumar com impacto assustador de minha face oculta
Vontade de ser inteligente
Vontade de ser atraente
Vontade de saber guardar dinheiro
Vontade de saber dançar e mexer os quadris
Vontade de saber o que fazer com as mãos quando sinto que "sobro" em lugares
Vontade de não pensar tanta coisa ao mesmo tempo
Vontade de encontrar um grande amor
Vontade de saber fazer poesia
Vontade de me acostumar que sou dispensável quando não tenho "UTILIDADE" pra alguém
Vontade de tocar bem a viola sem estudar
Vontade de ser mais risonha
Vontade de ser engraçada
Vontade de não sentir vontade...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pés de T.Rex
Quisera eu que eles fossem a mais aterrorizante e horrenda parte minha.
Mas foi só encará-la e percebi que eles são a ínfima parte de minha monstruosidade.
Fora do olhar, do desejo, da atração.
Sou um ser que serve pra que façam piadinhas, "olha isso!!" "núuuuuuuuuuuuuu que tamanhão", e olhares que milimetricamente constatam as feiúras, banhas, asco.
E essa elefanta de passo lento, olhar manso é por dentro um T.Rex, que devora desejos, ciúmes, raivas, mêdos, a mandíbula de afiados dentes dilacera ela mesma por dentro, é uma carinficina por dentro...
Mas a vida é um baile de mascarados, a mascara de banha paquidérmica serve de escudo, serve pra ocultar o quanto sou animalesca , imatura, selvagem e mimada por dentro.
Mas que nada, desta carnificina só ela sente o fétido odor da carne apodrecendo...Não há risco, vazamentos esporádicos saem de seus olhos e é só por a culpa nos hormônios.
Eles são uma desculpa e tanto!
Depois é continuar sendo elefanta, capaz de suportar altas cargas de insultos, grosserias, deboches e olhares de "Vc é um SACO", mais constantemente dos amigos... Eles não precisam ser afetuosos é que estou sempre incomodando demais, com meu tamanho, rugas, lentidão, meu contorno que só um "cara bêbado demais pra encarar" como filisofa um("amigo"), ou nem mesmo muuuuuuuuito bêbado pra encarar essa paquidérmica chatice.
Também já tenho esse ar bem paquidérmico , bem cinza, enrugada e rachada , nem eu muito bêbada conseguiria me olhar, tocar então...
Mas foi só encará-la e percebi que eles são a ínfima parte de minha monstruosidade.
Fora do olhar, do desejo, da atração.
Sou um ser que serve pra que façam piadinhas, "olha isso!!" "núuuuuuuuuuuuuu que tamanhão", e olhares que milimetricamente constatam as feiúras, banhas, asco.
E essa elefanta de passo lento, olhar manso é por dentro um T.Rex, que devora desejos, ciúmes, raivas, mêdos, a mandíbula de afiados dentes dilacera ela mesma por dentro, é uma carinficina por dentro...
Mas a vida é um baile de mascarados, a mascara de banha paquidérmica serve de escudo, serve pra ocultar o quanto sou animalesca , imatura, selvagem e mimada por dentro.
Mas que nada, desta carnificina só ela sente o fétido odor da carne apodrecendo...Não há risco, vazamentos esporádicos saem de seus olhos e é só por a culpa nos hormônios.
Eles são uma desculpa e tanto!
Depois é continuar sendo elefanta, capaz de suportar altas cargas de insultos, grosserias, deboches e olhares de "Vc é um SACO", mais constantemente dos amigos... Eles não precisam ser afetuosos é que estou sempre incomodando demais, com meu tamanho, rugas, lentidão, meu contorno que só um "cara bêbado demais pra encarar" como filisofa um("amigo"), ou nem mesmo muuuuuuuuito bêbado pra encarar essa paquidérmica chatice.
Também já tenho esse ar bem paquidérmico , bem cinza, enrugada e rachada , nem eu muito bêbada conseguiria me olhar, tocar então...
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
2009, ao som de Beirute
Como tenho curtido esse menino, sua poesia, sua alma através do seu azul único e eterno.
Saudar o primeiro dia do ano ao seu lado, me faz muito bem!
****
Jogo da verdade ... :o(
Dói!Dilacera.
Comecei o ano novo com o giro da garrafa num jogo da verdade, verdades que ouvi e que tentei "Digerir"...
Que inveja dela!Seus olhos a desejam, sua boca saliva, seu ser a deseja...Que sorte a dela..
Queria muito não ser vista como um ser não atraente,um ser invisível, um ser "sem sal", que não desperta o desejo .Mas nestes momentos crio uma muralha e elevo mais uma fileira de tijolos pra que esses sentimentos idiotas fiquem cada vez mais isolados , e quem sabe me livvre deles. Quem sabe não é mesmo ? quem sabe o que é desejar e não ser correspondido?
Quem sabe o que é ser invisível pra um ser que cega o seu olhar?? Mas é engraçado que não gosto do seu ser como um todo...Falta algo.Falta poesia, falta estilo, falta atitude, falta um recheio que eu não encontro, procuro, mas não encontro. Ele é meio "bruto", é previsivelmente "homem comum", gosto e senso estético duvidoso. Ouço a voz de minha face oculta lá de dentro do calabouço...Putz!Busco defeitos nele pra cimentar os tijolos e isolar esses vulcãnicos sentimentos, e essa argamassa é uma massa de areia ...Caem os tijolos e eles vêm de loge feito lava quente, sentimentos com os quais eu luto ,esgano,esquartejo, saio mutilada e eles cada vez mais invictos.
Eu saúdo 2009 com a bandeira de paz , assumo minha impotência!
Eu o desejo!
Nos meus sonhos eu dou asas a esse desejo e lá o enredo eu é que escrevo, com a trilha sonora que quero ,me iludo...
Sonho!
Sonho...
Saudar o primeiro dia do ano ao seu lado, me faz muito bem!
****
Jogo da verdade ... :o(
Dói!Dilacera.
Comecei o ano novo com o giro da garrafa num jogo da verdade, verdades que ouvi e que tentei "Digerir"...
Que inveja dela!Seus olhos a desejam, sua boca saliva, seu ser a deseja...Que sorte a dela..
Queria muito não ser vista como um ser não atraente,um ser invisível, um ser "sem sal", que não desperta o desejo .Mas nestes momentos crio uma muralha e elevo mais uma fileira de tijolos pra que esses sentimentos idiotas fiquem cada vez mais isolados , e quem sabe me livvre deles. Quem sabe não é mesmo ? quem sabe o que é desejar e não ser correspondido?
Quem sabe o que é ser invisível pra um ser que cega o seu olhar?? Mas é engraçado que não gosto do seu ser como um todo...Falta algo.Falta poesia, falta estilo, falta atitude, falta um recheio que eu não encontro, procuro, mas não encontro. Ele é meio "bruto", é previsivelmente "homem comum", gosto e senso estético duvidoso. Ouço a voz de minha face oculta lá de dentro do calabouço...Putz!Busco defeitos nele pra cimentar os tijolos e isolar esses vulcãnicos sentimentos, e essa argamassa é uma massa de areia ...Caem os tijolos e eles vêm de loge feito lava quente, sentimentos com os quais eu luto ,esgano,esquartejo, saio mutilada e eles cada vez mais invictos.
Eu saúdo 2009 com a bandeira de paz , assumo minha impotência!
Eu o desejo!
Nos meus sonhos eu dou asas a esse desejo e lá o enredo eu é que escrevo, com a trilha sonora que quero ,me iludo...
Sonho!
Sonho...
domingo, 23 de novembro de 2008
"Fumacinha pra lá, santinho pra cá"...
15/09/2008
23:16
Pareço um cão de caça!Minhas narinas sentem um forte cheiro invadindo meu quarto.Eu acordei com esse cheiro de fumaça. Cheiro forte , parece que tem alguém queimando gravetos , queimando mato ainda verde!
"Fumacinha pra lá,
santinho pra cá,
fumacinha pra lá santinho pra cá"
Estou mesmo enlouquecendo!Lembrar disso agora!Como?E porque?
Recordo do meu pai fumar e a fumaça me incomodar muito, ai ele me ensinava a abanar com as mãos e dizer :fumacinha pra lá, santinho pra cá...E funcionava!Ele era um mágico!A fumaça ia pra longe de minhas narinas e eu achava muito mágico essa simpatia!Ele podou o abacateiro e fez um túnel de galhos e pôs fogo...A fumaça, o cheiro do mao verde queimando. Tudo me impressionou muito. Fato que sei lá se aconteceu, pois da família sou a única a me recordar disso. Só eu!Será mesmo que vivi isso?Como saber?Será que imagino essa bizarra vivência?Bom , o fato é que essa é uma das cenas que ficaram na caverna da memória, e eu com uma tocha em mãos vislumbro como um arqueólogo que encontra uns desenhos de civilizações extintas...Infância extinta, pintura se apagando em teto de caverna escura.Num dia raro que ele ficou em casa e nem me enxergava, desafia os três últimos rebentos, quem for mais valente e atravessar o túnel ganha uma moeda!Eu fui !Mas a moeda foi pro menino, que foi também, acho que primeiro, sei lá que critério usou pra premiar o vencedor...Que raiva!e eu?e eu?
Choro no cantinho debaixo do limoeiro, olhando aquele lindo moreno, sem camisa, que me despreza, me ignora, que me chama de magrela pega os outros dois no colo. Eu quero colo!Eu o achava tão lindo!Mesmo já careca, pançudo, e ficava dali mesmo admirando-o, observando-o cortar o abacateiro.Ah! não tem problema não me dar colo, o que importa mesmo é que ele está qui no quintal!Hoje ele tá aqui!Meu peito vai estourar, de emoção.Fico tanto aqui, brinco tanto aqui debaixo do limoeiro, com as formigas , o abacateiro, taturanas, caramujos, larvas verdes no tronco do limoeirocastelo,,,Hoje é diferente, estou aqui, mas posso vê-lo!Ai, ai!Lindo!
A flor do limoeiro sem um pétala é Princesa, furo com alfinete de costura ,o brotinho de limão, feto abortado por magricela "bisca" e faço seus olhos e boca...O Príncipe é a flor "depetalada"...
Eles se amam nas minhas mãos, aqui no quintal. Eu crio um romântico casal que vive aventuras incríveis e vai de bumerangue até a Austrália!Ah nem... No limoeiro "ele" é só meu, não tenho que dividí-lo com ninguém!Gente é mesmo, meu pai tinha um bumergangue maravilhoso e ele me levava lá no campinho onde hoje é o edifício Vovó mariazinha e mandá-lo ao vento e vê-lo voltar.
Minha mãe não gostava muito de meu pai sair pra passear comigo e minha irmã gêmea, discutiam.
Eu me sentia confusa. Eu sou motivo de briga? Tinha uma flor que eu olhava e via um aborígene e minha mãe xingava toda vez que me via com ela na mão."Este leite que ela solta é veneno!Não coloca a mãono olho senão fica cega!"Que susto!Ela grita e me faz tremer.Meu coração saltando e parecendo um tambor.Que raiva!Me deixa brincar!Me deixa aqui nesta 4a dimensão onde vivo aventuras com o Mickey e o Squálido.Ah nem, minha mãe é pé no chão demais, meu pai é "cabeça de vento"!
Eu amo os 2, mas essa ambiguidade me deixa sem referências...O Masculino quer ler,gastar o $ com livros, enciclopédias, a Divina Comedia de Dante, O Tesouro da juventude , Júlio Verne, gibis...Artesão na ourivesaria, com o maçarico nas mãos funde ouro,cobre,latão e dá vida à lindas jóias...que ele seduz as amantes nos botecos, nas pescarias , nas bebedeiras e esquece que tem prole que essa prole tem fome...O feminino quer calar o choro da prole,pagar contas,remédios,e coisas que a vida prática cobra, EXIGE!Ele adora cozinhar.Eu amo quando ele faz maionese e me explica que o furo da lata de azeite tem que ser bem fininho(faz com um prego),num prato de louça coloca uma gema cozida e uma gema crua e amassa com um garfo, e logo depois fazendo um movimento circular no sentido horário vai acrescentando o azeite, depois suco de limão que eu ja tinha "amaciado"assim: sentada no chão da cozinha de pernas abertas mandava o limão na parede em frente e esperava ele voltar com o impacto para minhas mãos, assim na hora de espremer ficava mais fácil.Ummmm!Posso sentir o sabor!Inesquecível.
Ele era tão charmoso, cozinhava bem e os vizinhos sempre diziam: "A maionese do Juvenal é muito boa" "Ele faz à mão!Não faz no liquidificador!"
Eu quase explodia de orgulho!
Meu pai é bom em tudo que faz!bom ourives, bom cozinheiro!
Mas estranho o olho de minha mãe transmite mágoa, raiva, dor.Ela lava roupas na bacia lá fora.A comida dela é boa, mas não tem poesia, tem pedra de feijão e algumas vezes casquinha de arroz, casca de alho, cabelo...
Ela parece odiar esta vida, vou sair daqui!
Vou lá pro limoeiro, meus irmãos estam matando umas lagartas que deram no tronco dele, eles queimam todas elas.Que horror!São sádicos!São malvados.
Tenho pena delas, se contorcem e caem no chão e morrem lentamente.
Eu tremo...Eu tremo muito!
Cheiro de fumaça, cheiro de graveto queimando, cheiro de infância disante."
23:16
Pareço um cão de caça!Minhas narinas sentem um forte cheiro invadindo meu quarto.Eu acordei com esse cheiro de fumaça. Cheiro forte , parece que tem alguém queimando gravetos , queimando mato ainda verde!
"Fumacinha pra lá,
santinho pra cá,
fumacinha pra lá santinho pra cá"
Estou mesmo enlouquecendo!Lembrar disso agora!Como?E porque?
Recordo do meu pai fumar e a fumaça me incomodar muito, ai ele me ensinava a abanar com as mãos e dizer :fumacinha pra lá, santinho pra cá...E funcionava!Ele era um mágico!A fumaça ia pra longe de minhas narinas e eu achava muito mágico essa simpatia!Ele podou o abacateiro e fez um túnel de galhos e pôs fogo...A fumaça, o cheiro do mao verde queimando. Tudo me impressionou muito. Fato que sei lá se aconteceu, pois da família sou a única a me recordar disso. Só eu!Será mesmo que vivi isso?Como saber?Será que imagino essa bizarra vivência?Bom , o fato é que essa é uma das cenas que ficaram na caverna da memória, e eu com uma tocha em mãos vislumbro como um arqueólogo que encontra uns desenhos de civilizações extintas...Infância extinta, pintura se apagando em teto de caverna escura.Num dia raro que ele ficou em casa e nem me enxergava, desafia os três últimos rebentos, quem for mais valente e atravessar o túnel ganha uma moeda!Eu fui !Mas a moeda foi pro menino, que foi também, acho que primeiro, sei lá que critério usou pra premiar o vencedor...Que raiva!e eu?e eu?
Choro no cantinho debaixo do limoeiro, olhando aquele lindo moreno, sem camisa, que me despreza, me ignora, que me chama de magrela pega os outros dois no colo. Eu quero colo!Eu o achava tão lindo!Mesmo já careca, pançudo, e ficava dali mesmo admirando-o, observando-o cortar o abacateiro.Ah! não tem problema não me dar colo, o que importa mesmo é que ele está qui no quintal!Hoje ele tá aqui!Meu peito vai estourar, de emoção.Fico tanto aqui, brinco tanto aqui debaixo do limoeiro, com as formigas , o abacateiro, taturanas, caramujos, larvas verdes no tronco do limoeirocastelo,,,Hoje é diferente, estou aqui, mas posso vê-lo!Ai, ai!Lindo!
A flor do limoeiro sem um pétala é Princesa, furo com alfinete de costura ,o brotinho de limão, feto abortado por magricela "bisca" e faço seus olhos e boca...O Príncipe é a flor "depetalada"...
Eles se amam nas minhas mãos, aqui no quintal. Eu crio um romântico casal que vive aventuras incríveis e vai de bumerangue até a Austrália!Ah nem... No limoeiro "ele" é só meu, não tenho que dividí-lo com ninguém!Gente é mesmo, meu pai tinha um bumergangue maravilhoso e ele me levava lá no campinho onde hoje é o edifício Vovó mariazinha e mandá-lo ao vento e vê-lo voltar.
Minha mãe não gostava muito de meu pai sair pra passear comigo e minha irmã gêmea, discutiam.
Eu me sentia confusa. Eu sou motivo de briga? Tinha uma flor que eu olhava e via um aborígene e minha mãe xingava toda vez que me via com ela na mão."Este leite que ela solta é veneno!Não coloca a mãono olho senão fica cega!"Que susto!Ela grita e me faz tremer.Meu coração saltando e parecendo um tambor.Que raiva!Me deixa brincar!Me deixa aqui nesta 4a dimensão onde vivo aventuras com o Mickey e o Squálido.Ah nem, minha mãe é pé no chão demais, meu pai é "cabeça de vento"!
Eu amo os 2, mas essa ambiguidade me deixa sem referências...O Masculino quer ler,gastar o $ com livros, enciclopédias, a Divina Comedia de Dante, O Tesouro da juventude , Júlio Verne, gibis...Artesão na ourivesaria, com o maçarico nas mãos funde ouro,cobre,latão e dá vida à lindas jóias...que ele seduz as amantes nos botecos, nas pescarias , nas bebedeiras e esquece que tem prole que essa prole tem fome...O feminino quer calar o choro da prole,pagar contas,remédios,e coisas que a vida prática cobra, EXIGE!Ele adora cozinhar.Eu amo quando ele faz maionese e me explica que o furo da lata de azeite tem que ser bem fininho(faz com um prego),num prato de louça coloca uma gema cozida e uma gema crua e amassa com um garfo, e logo depois fazendo um movimento circular no sentido horário vai acrescentando o azeite, depois suco de limão que eu ja tinha "amaciado"assim: sentada no chão da cozinha de pernas abertas mandava o limão na parede em frente e esperava ele voltar com o impacto para minhas mãos, assim na hora de espremer ficava mais fácil.Ummmm!Posso sentir o sabor!Inesquecível.
Ele era tão charmoso, cozinhava bem e os vizinhos sempre diziam: "A maionese do Juvenal é muito boa" "Ele faz à mão!Não faz no liquidificador!"
Eu quase explodia de orgulho!
Meu pai é bom em tudo que faz!bom ourives, bom cozinheiro!
Mas estranho o olho de minha mãe transmite mágoa, raiva, dor.Ela lava roupas na bacia lá fora.A comida dela é boa, mas não tem poesia, tem pedra de feijão e algumas vezes casquinha de arroz, casca de alho, cabelo...
Ela parece odiar esta vida, vou sair daqui!
Vou lá pro limoeiro, meus irmãos estam matando umas lagartas que deram no tronco dele, eles queimam todas elas.Que horror!São sádicos!São malvados.
Tenho pena delas, se contorcem e caem no chão e morrem lentamente.
Eu tremo...Eu tremo muito!
Cheiro de fumaça, cheiro de graveto queimando, cheiro de infância disante."
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