sábado, 14 de fevereiro de 2009

"toda dor repousa na vontade..."

Pego emprestado do Camelo e divago sobre as dores que me atormentam recentemente...
Vontade de ter pés delicados
Vontade de não sentir saudades
Vontade de não sentir cíumes, deslocamento, inadequação
vontade de ser magra
Vontade de perceber meu corpo
Vontade de ter minha mãe de volta,seu colo, seu afago
Vontade de ser equilibrada, normal
Vontade de rir do que todos riem
Vontade de ser admirada
Vontade de ser desejada
Vontade de ser competente
Vontade de saber quem eu sou
Vontade de me preparar pras minhas sabotagens
Vontade de não enxergar o que tem por trás de alguns olhares
Vontade de ser disciplinada
Vontade de revirar meu inconsciente e exterminar todos os meus "traidores desejos"
Vontade de sexo
Vontade de me acostumar com impacto assustador de minha face oculta
Vontade de ser inteligente
Vontade de ser atraente
Vontade de saber guardar dinheiro
Vontade de saber dançar e mexer os quadris
Vontade de saber o que fazer com as mãos quando sinto que "sobro" em lugares
Vontade de não pensar tanta coisa ao mesmo tempo
Vontade de encontrar um grande amor
Vontade de saber fazer poesia
Vontade de me acostumar que sou dispensável quando não tenho "UTILIDADE" pra alguém
Vontade de tocar bem a viola sem estudar
Vontade de ser mais risonha
Vontade de ser engraçada
Vontade de não sentir vontade...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pés de T.Rex

Quisera eu que eles fossem a mais aterrorizante e horrenda parte minha.
Mas foi só encará-la e percebi que eles são a ínfima parte de minha monstruosidade.
Fora do olhar, do desejo, da atração.
Sou um ser que serve pra que façam piadinhas, "olha isso!!" "núuuuuuuuuuuuuu que tamanhão", e olhares que milimetricamente constatam as feiúras, banhas, asco.
E essa elefanta de passo lento, olhar manso é por dentro um T.Rex, que devora desejos, ciúmes, raivas, mêdos, a mandíbula de afiados dentes dilacera ela mesma por dentro, é uma carinficina por dentro...
Mas a vida é um baile de mascarados, a mascara de banha paquidérmica serve de escudo, serve pra ocultar o quanto sou animalesca , imatura, selvagem e mimada por dentro.
Mas que nada, desta carnificina só ela sente o fétido odor da carne apodrecendo...Não há risco, vazamentos esporádicos saem de seus olhos e é só por a culpa nos hormônios.
Eles são uma desculpa e tanto!
Depois é continuar sendo elefanta, capaz de suportar altas cargas de insultos, grosserias, deboches e olhares de "Vc é um SACO", mais constantemente dos amigos... Eles não precisam ser afetuosos é que estou sempre incomodando demais, com meu tamanho, rugas, lentidão, meu contorno que só um "cara bêbado demais pra encarar" como filisofa um("amigo"), ou nem mesmo muuuuuuuuito bêbado pra encarar essa paquidérmica chatice.
Também já tenho esse ar bem paquidérmico , bem cinza, enrugada e rachada , nem eu muito bêbada conseguiria me olhar, tocar então...